Dr. Mario Celso Schmitt

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ROTAVÍRUS E ROTAVIROSE

01/02/2016




ROTAVÍRUS

Os rotavírus pertencem à família Reoviridae, gênero rotavírus. São classificados em grupos, subgrupos e sorotipos de acordo com sua composição antigênica. Segundo o Ministério da Saúde, até o momento temos sete grupos antigênicos: A, B, C, D, E, F e G que causam infecção no homem, em outros mamíferos e aves. A proteína VP6 determina o subgrupo (I, II, I + II, não I e não II) e os sorotipos são determinados com base em duas proteínas situadas no capsídeo viral externo, VP7 (glicoproteína) e VP4 (sensível à protease). São reconhecidos 15 diferentes sorotipos (genótipos) G e, pelo menos 10 infectam o homem, três deles causam gastroenterite aguda (doença diarréica aguda). A variedade de sorotipos explica por que a pessoa pode ser infectada mais de uma vez. A infecção pode ocorrer em qualquer idade.


ROTAVIROSE
É uma doença diarréica aguda (diarréia) causada por vírus do gênero rotavírus. Estes vírus são considerados os mais importantes causadores da diarréia grave, em todo o mundo, principalmente em crianças menores de cinco anos. Crianças prematuras, de baixo nível sócio-econômico ou com deficiência imunológica estão sujeitas à manifestação da doença de maior gravidade. Nos adultos a doença tende a a ser mais moderada.

O período de incubação da rotavirose dura em média dois dias.

Sinais e sintomas
Os sinais apresentados na forma clássica da doença, principalmente na faixa de seis meses a dois anos, é caracterizada por uma forma abrupta de vômito, diarreia (caráter aquoso, aspecto gorduroso e explosivo) e febre alta. Podem ocorrer formas leves e subclínicas nos adultos e formas assintomáticas na fase neonatal e durante os quatro primeiros meses de vida. Eventualmente, o quadro clínico pode apresentar sintomas como náuseas, falta de apetite e dor abdominal, comprometimento respiratório caracterizado por otite média e broncopneumonia.

Uma das complicações é a desidratação grave que se não tratada de forma precoce e adequada, pode ser fatal.

Transmissão
O rotavírus é eliminado em grande quantidade pelas fezes do doente, sendo a transmissão pela via fecal-oral ou por secreções respiratórias (contato com secreções de pessoas infectadas). A água e os alimentos contaminados também podem ser fontes de transmissão do rotavírus.

A máxima excreção viral se dá no 3º e 4º dias a partir dos primeiros sintomas, no entanto, podem ser detectados nas fezes de pacientes mesmo após a completa resolução da diarreia.

Tratamento
É fundamental que o tratamento seja orientado por um profissional da área da saúde que deverá: 

Corrigir a desidratação e o desequilíbrio eletrolítico

Aumentar a administração de líquidos (água, chás, sucos, água de côco e soro de reidratação oral - SRO), para repor a quantidade de líquidos perdida pelas fezes ou vômitos, devendo ser oferecido aos poucos e em colher ou copo, neste caso evitar a administração dos líquidos com mamadeira.
 

Combater a desnutrição
A alimentação da criança não deve ser interrompida, manter a que é oferecida habitualmente, com os intervalos menores entre as refeições.

As porções dos alimentos oferecidos deverão ser menores e deve-se dar preferência aos alimentos melhor aceitos pela criança.

Para as crianças que estão sendo amamentadas, é necessário que a mãe amamente mais vezes durante o período de diarréia, é a forma mais adequada para evitar a desidratação nas crianças pequenas.
 

Utilizar os medicamentos adequados
O tratamento é o mesmo realizado para as outras doenças diarréicas agudas.
 

Prevenir complicações
É importante realizar a reidratação oral e/ou parenteral (quando a reposição de fluidos e eletrólitos não for suficiente), para evitar as complicações (desidratação grave e distúrbios hidreletrolíticos).

Os casos mais graves exigem o tratamento no hospital, que deve ser procurado o mais rápido possível para evitar a piora do quadro clínico.

Não é recomendado o uso de antibióticos e antidiarréicos.


Quem pode tomar vacina
A vacina que previne a doença diarréica causada por rotavírus faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e é oferecida para as crianças menores de seis (6) meses em todos os postos de vacinação do país.

A aplicação da 1ª dose deverá ser ministrada quando a criança estiver entre o primeiro mês e 15 dias de vida a três meses e uma semana. A 2ª dose deverá ser aplicada a partir terceiro mês e uma semana até cinco meses e meio, com intervalo mínimo de um mês entre as duas doses.


Recomendações para a prevenção
Buscar atendimento/assistência nas unidades de saúde, quando da ocorrência de diarreia.

Evitar a auto-medicação.

Aumentar a ingestão de líquidos, tão logo inicie a diarreia.

Administrar o soro de reidratação oral nas unidades de saúde sob observação por pelo menos quatro horas.

Desprezar adequadamente as fezes ou fraldas contendo material fecal.

Lavar as mãos antes de preparar os alimentos, antes das refeições, antes e após a troca de fraldas das crianças e antes e após usar o banheiro.

Lavar e ferver as mamadeiras e chupetas/bicos antes do uso.

Tratar toda água para consumo humano com hipoclorito de sódio a 2,5% (duas gotas para cada litro de água - deixar em repouso por 30 minutos antes do uso) ou com fervura, onde não exista sistema público de tratamento de água;

Guardar a água tratada em vasilhas limpas e de boca estreita, para evitar a recontaminação.

Cozinhar bem os alimentos (atingir 60º C no interior do produto).

Guardar bem os alimentos cozidos, evitar que entrem em contato com alimentos crus.
Manter as superfícies da cozinha sempre limpas.

Lavar e desinfetar os alimentos crus, como as verduras e hortaliças com solução de hipoclorito de sódio a 2,5%, durante 30 minutos (uma colher de sopa para cada litro de água).

Dar destino adequado ao lixo e dejetos para não contaminar o meio ambiente e cursos de água.

Incentivar o aleitamento materno, principalmente durante os primeiros seis meses de vida, o que aumenta a resistência das crianças contra doenças, inclusive as diarréias agudas.
 

Fontes de informação:
BRASIL. Ministério da Saúde. Rotavírus. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/rotavirus. Acesso em: 03. Nov. 2014.

 

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