Dr. Mario Celso Schmitt

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AMOR, CARINHO E CUIDADOS REFLETEM NA SAÚDE DO BEBÊ


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12/06/2017

 

Quando um bebê chora e não é atendido pelos pais, inicia-se um doloroso processo de abandono emocional dificultando o desenvolvimento do vínculo e desintegrando a formação do apego.

Um estudo americano realizado pela Universidade de Washington (2015) apontou a relação entre desenvolvimento do cérebro e amor materno, provando que o amor na relação mamãe-bebê ajuda o cérebro de uma criança a se desenvolver mais. A psicologia já mostrou há décadas através dos estudos de autores como Bowlby, Winnicott e Dolto, por exemplo. Para estes teóricos,  quanto mais atenção, carinho e amor recebidos, mais seguros e emocionalmente fortes se tornam as crianças.

A auto independência e a individualidade são processos que levam anos para se elaborarem de forma saudável e segura. Mas, são nos primeiros anos de vida que os vínculos são estruturados e os primeiros e mais fortes traços da personalidade são internalizados.

O estudo da psiquiatra infantil Joan Luby, descobriu que uma importante área do cérebro cresce e se desenvolve duas vezes mais rápido em crianças cujas mães são mais afetuosas e atenciosas, sugerindo que os bebês que são prontamente atendidos em suas necessidades e demandas recebendo carinho e atenção necessária para acalmá-los, têm mais chances de serem saudáveis.

Imagens do cérebro mostraram que a criação com apego é extremamente benéfica para a primeira infância (período que vai do nascimento aos seis anos de idade). Bebês e crianças que recebem afeto e apoio emocional crescem mais sadios. Esse modelo de criação internalizado permite à criança, quando o sentimento é de segurança em relação aos cuidadores (pais), acreditar em si própria, tornar-se independente e explorar sua liberdade (Bowlby, 1989).

A pesquisa analisou diversas situações que podem ocorrer diariamente na rotina de qualquer família, especialmente com crianças pequenas, que demandam atenção em momentos que, por um motivo ou outro, a mãe não pode dar. Seja porque está trabalhando em casa ou até mesmo cuidando de outro filho, e explica que a razão por trás desse tipo de avaliação é que essas situações são vivenciadas cotidianamente por inúmeras mães, e são verdadeiros desafios às habilidades maternas.

O estudo concluiu que as mães que conseguem manter o autocontrole com mais frequência diante das demandas e necessidades dos filhos, demonstrando apoio emocional ao acolhê-los afetuosamente, têm filhos emocionalmente mais saudáveis em relação às mães que desprezam, ignoram e agem de forma punitiva com as crianças. De acordo com Bowlby (1981), as crianças precisam que suas mães ofereçam calor, intimidade, afeto, carinho e amor.

Isso acontece porque há um período crucial em que o cérebro responde mais ativamente ao apoio materno, provavelmente por conta da maior plasticidade do neuronal quando as crianças são mais novas.  Os resultados dessa pesquisa evidencia o que a psicologia e psicanálise já registrou sobre o desenvolvimento emocional: amor materno é o elemento mais estruturante na formação do ser humano, e extremamente importante nos primeiro anos de vida. A consciência do amor parental promove força e segurança.  A presença de uma mãe suficiente boa que proporcione um ambiente seguro e protetor no qual ela se encontra sempre próxima para assegurar a satisfação das necessidades do filho é fundamental para o desenvolvimento (Winnicott, 2006).

Precisamos romper com a ideia implantada em nossa cultura que colo e atenção deixam os bebês mal acostumados. É importante fornecer apoio aos pais para conduzirmos estilos de criação mais positivos, menos punitivos e individualistas, isso se refletirá em outras características do desenvolvimento infantil, sejam comportamentais ou de adaptação.

Ao nascer o bebê não tem percepção individual do seu corpo, na verdade ele se percebe integrado continuamente ao corpo materno. Aquele bebê que acabou de vir ao mundo percebe a mãe (ou figura substituta) como uma extensão de si mesmo, são dois corpos ocupando a mesma unidade psíquica. Todos os sentidos e necessidades do bebê durante os primeiros seis meses de vida estão intimamente relacionados ao contato com a mãe: o olhar, o cheiro, o toque, os sons do corpo materno, o calor do colo, o movimento de caminhar e carregar nos braços. É a partir da satisfação plena dessa fusão emocional e necessidades imediatas que conduziremos nossos filhos à autonomia psíquica e segurança emocional. Amor sem medidas.

 

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